Fonte: Jornal Paraná Centro
“Se não bastasse isso, as classificações que estão fazendo do trigo estão deixando o agricultor arrasado, porque, além de ter baixado o preço mínimo, também estão derrubando a qualidade na hora da classificação”, afirmou Petrassi, ressaltando que, na safra passada, o preço do trigo chegava a R$30 e, agora, alguns produtores estão comercializando a R$13.
“O valor vem caindo no armazém, mas nas prateleiras do supermercado os derivados do trigo continuam em alta”, ressaltou Silvio Petrassi dizendo que toda vez que o agricultor produz mais, ele acaba penalizado e não existe um mecanismo que possa garantir a armazenagem ou que apóie o produtor para que ele não sofra tanto. “Não sei como o produtor vai saldar a conta, porque é impossível pagar as despesas e saldar as dívidas”, disse.
Petrassi também reclamou da forma como a classificação é realizada na Coamo. “Estamos fazendo uma peregrinação. Temos que passar em vários locais até achar um onde conseguimos obter uma classificação melhor para o nosso cereal. Acho que classificação deveria ser igual em todo o lugar. Entramos no entreposto da Coamo e não dá classificação. Depois, vamos em outro e dá classificação. Acho que deve ser corrigido”, afirmou o prefeito.
Normativa do Ministério da Agricultura
Por telefone, Paraná Centro conversou com o superintendente técnico da Coamo, Airton Galinari, que explicou que a cooperativa utiliza o padrão de classificação que é definido por uma normativa do Ministério da Agricultura e usado como padrão para as operações de compra do Governo Federal. “Nos últimos anos, as instruções foram alteradas. Anteriormente, para classificar o trigo utilizava-se apenas como parâmetro a densidade do grão, que era medido pelo PH, por parâmetros de impureza, umidade e percentual de grãos germinados”, ressaltou Galinari.
O superintendente da Coamo disse que de alguns anos para cá os moinhos adotaram esse padrão que exige parâmetros mais técnicos, nos quais é avaliada a força do glúten, a viscosidade do trigo, que é uma variável de germinação, e a estabilidade do trigo. “Hoje, esses são os três principais requisitos que estão nas instruções normativas do Governo Federal”, reafirmou o superintendente.
Por ser um dos maiores recebedores do trigo no Brasil, a Coamo teve que se adequar e investir ainda mais nos equipamentos que fazem essa análise. “A Coamo não pode ser irresponsável, receber um produto de baixo padrão e pagar como se fosse de alto padrão, porque, além de dar prejuízo para o cooperado, compromete o recebimentos dos demais produtores”, disse Galinari, lembrando que as fortes chuvas registradas, há 15 dias, acabaram derrubando o padrão de qualidade do trigo. “Infelizmente, antes das chuvas, as lavouras estavam em condições de ser colhidas. Mas, em virtude dos vários dias de chuva, os grãos começam a germinar na espiga, e essa germinação aparece através do falling number e abaixo de determinado padrão, esse trigo não serve para panificação e sim para ração, resultando no valor da metade do preço pago pelo produto de melhor qualidade”, afirmou o superintendente.
Ele ressaltou que, entre uma unidade e outra, pode ocorrer pequenas variações na classificação, que são compreensíveis e toleradas, mas garantiu que o padrão de classificação é único nas 110 unidades de recebimento da cooperativa e que deve tratar os cooperados de maneira igualitária. “Não existe uma obrigação de o cooperado fazer a entrega do trigo na cooperativa, se ele encontrar uma empresa que esteja pagando melhor, pode ter a liberdade de fazer a entrega em outro local, mas garantimos que a classificação é feita dentro de normas técnicas e de forma justa”, finalizou Airton Galinari.
Nenhum comentário:
Postar um comentário