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O pacote de medidas para o setor elétrico anunciado pelo governo ontem, com o objetivo de mitigar os altos gastos de curto prazo das distribuidoras com a compra de energia, é negativo do ponto de vista macroeconômico, avaliou hoje o JPMorgan.
Na visão dos analistas do banco, apesar de ter evitado um aumento da conta de luz no curto prazo, a solução "criativa" encontrada pelo governo não aliviou as expectativas para a inflação no longo prazo.
Além disso, manteve altas as incertezas do ponto de vista fiscal e gerou mais necessidade de financiamento, colocando pressão nos mercados. "Colocando de lado eventuais impactos positivos para empresas específicas do setor de energia, nossa avaliação macroeconômica sobre o pacote...é negativa", escreveram analistas do JPMorgan em e-mail enviado a clientes.
Medidas anunciadas
O governo anunciou ontem que irá realizar um leilão de energia existente para reduzir a exposição das distribuidoras aos preços altos de energia no curto prazo. Ele aportará R$ 4 bilhões do Tesouro para ajudar as distribuidora e permitirá que a CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) contrate empréstimos de até R$ 8 bilhões para completar a ajuda.
"A ressalva fiscal aqui é quanto desse financiamento será fornecido pelos bancos públicos, o que, por sua vez, pode elevar as necessidades de aporte do Tesouro Nacional nos bancos públicos, aumentando a dívida bruta pública", escreveram.
Os analistas também avaliaram que o governo falhou em dar um quadro mais transparente e sustentável para tratar do problema da eletricidade e não deu sinal de preço para os consumidores, o que poderia contribuir para conter a demanda e aliviar os riscos de racionamento.
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