Tribuna do Norte
O primeiro semestre de 2013 foi mais violento no Vale. Os chamados
Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) quase dobraram entre janeiro
e julho em comparação com o mesmo período do ano passado. Levantamento
feito pela Tribuna em dez municípios confrontados com relatório da
Secretaria da Segurança Pública (Sesp) do Paraná, realizado em 2012,
mostra aumento de 90,9% no total de homicídios dolosos, latrocínios e
lesões corporais seguidas de morte.
Com maior população, Apucarana é a cidade com maior número de crimes
contra a vida do Vale do Ivaí. A quantidade de pessoas assassinadas de
janeiro a julho de 2013 equivale aos casos registrados em 2012 inteiro:
15 mortes. Os tipos de crimes também apresentaram mudanças no perfil dos
crimes. No ano anterior foram registrados 14 homicídios e apenas um
latrocínio - roubo seguido de morte. Já em 2013 ocorreram oito
homicídios, quatro latrocínios e outras três pessoas morreram após
espancamento neste ano. As estatísticas também revelam que a maior parte
das vítimas foi morta por arma de fogo: 46,6%. Outros 33,3% através do
uso de facas e 20% por lesão corporal. A maior parte desses crimes está
relacionada a acerto de contas por tráfico ou uso de drogas e vingança
pessoal, conforme aponta investigação da polícia.
Outro municípios com grande aumento de ocorrências é Mauá da Serra
que registrou crescimento de 800% com 9 mortes violentas neste ano
contra apenas 1 no ano passado. Na sequência estão Arapongas e Ivaiporã.
O primeiro com quatro mortes contra 3 no ano passado. Já o segundo
passou 2012 com apenas um homicídio. Este ano, quatro pessoas morreram
esfaqueadas entre janeiro a abril.
O número de crimes violentos, por outro lado, caiu 50% em Jandaia do Sul e Faxinal e 33% em Manoel Ribas.
A disparada no número de mortes violentas na região é considerada
incomum pela Polícia Civil. Entretanto, o delegado Ítalo Sêga, chefe da
17ª Subdivisão Policial (SDP), destaca o declínio nesses crimes de abril
a julho, em Apucarana. Dez pessoas foram assassinadas até março deste
ano. Quatro só em janeiro. “No início do ano houve um aumento atípico,
infelizmente. O maior problema ocorreu nos três primeiros meses. Porém a
partir de abril decresce muito. Se continuar dessa forma seguirá em
nível decrescente”, analisa o delegado informando que todos os 15 crimes
estão esclarecidos com autoria definida.
“Quatro homicídios do ano passado e um do ano de 2011 também estão
solucionados”, completa Sêga informando que os trabalhos são
desenvolvidos através do Departamento de Homicídios, criado este ano,
instalado com investigadores e escrivães destinados.
Para o chefe da 17ª SDP, não existe fatores determinantes que
expliquem o aumento da prática desses crimes no município e região. “Não
há como prever. A violência não tem padrão. Não há uma explicação
certa, concreta e definitiva para isso”, destaca.
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