17 de abril de 2013

NOTICIAS: MST bloqueia estradas no PR em protesto nacional em memória de massacre

Agência Brasil/Antônio Cruz / Manifestantes do MST passam em frente ao Congresso Nacional, em Brasília (DF)Estradas ficaram fechadas por 21 minutos - número alusivo aos mortos no confronto em Eldorado do Carajás (PA) há 17 anos. Sem-terra também protestaram em Brasília (DF)
Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) bloquearam nesta quarta-feira (17) 20 rodovias estaduais e federais no Paraná, em um protesto nacional em memória ao massacre de Eldorado do Carajás (PA), ocorrido em 1996.
As estradas ficaram fechadas por 21 minutos, entre as 9 h e as 9h21 - número alusivo às 21 mortes ocorridas no confronto entre os sem-terra e policiais militares, há 17 anos (o MST inclui na lista dois óbitos que ocorreram nos dias seguintes ao conflito).

FONTE: GAZETA DO POVO/ CURITIBA

De acordo com as polícias rodoviária estadual e federal do Paraná, não houve tumulto.
Os sem-terra também fizeram um protesto em frente ao Tribunal de Justiça do Estado, em Curitiba, para onde levaram 21 cruzes com os nomes dos colegas mortos no massacre.
"Queremos mostrar à sociedade a morosidade do Poder Judiciário", diz José Damasceno, membro da coordenação estadual do MST no Paraná.
Para ele, a Justiça tem tomado decisões "tendenciosas" contra o movimento. "Uma reintegração de posse sai em até 24 horas, mas quando se trata de desapropriação fundiária, os processos se arrastam por anos e anos."
A coordenação estadual do MST terá uma reunião com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na manhã desta quarta-feira para reivindicar o assentamento de 5.100 famílias que estão acampadas no Paraná, em cerca de 60 áreas ocupadas.
Segundo ele, a maioria dos acampados está nas áreas desde o início do governo Lula. "O ritmo de assentamentos desacelerou muito desde então", afirma Damasceno.
Protesto na Esplanada dos Ministérios
Manifestantes do MST percorrem desde cedo a Esplanada dos Ministérios e a Praça dos Três Poderes, em Brasília (DF), pedindo o fim da impunidade no campo. Os manifestantes - estimados em 500 pela Polícia Militar e pelo MST - saíram por volta das 7 horas do acampamento onde estão alojados, no Setor de Indústria e Abastecimento, e caminharam até o Supremo Tribunal Federal (STF), onde fizeram uma pausa às 9h40, para homenagear os 21 trabalhadores rurais sem terra mortos no Massacre de Eldorado dos Carajás.
Além de lembrar os mortos, os manifestantes pedem agilidade no processo de reforma agrária. Segundo o movimento, há em todo país, 150 mil famílias acampadas e 69 mil grandes propriedades improdutivas. Às 10h20, os manifestantes deixaram o STF e se dirigiram ao Ministério da Justiça, onde pedirão uma audiência para tratar da impunidade no campo e dos processos judiciais que, segundo eles, impedem a aquisição de 193 áreas pelo Incra.
Durante a manhã, a Comissão de Direitos Humanos do Senado também realiza audiência sobre os conflitos agrários e a impunidade no campo. Segundo o MST, às 11h serão doadas, na Rodoviária do Plano Piloto, duas toneladas de alimentos cultivados sem agrotóxicos para a população. Os produtos, entre eles mandioca, batata doce, quiabo, feijão de corda, abóbora e abobrinha verde são de assentamentos e acampamentos do Distrito Federal e Entorno.

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