7 de março de 2013
RELIGIÃO: Igrejas não querem ‘pecar’ com as normas de segurança
DISPOSIÇÃO – Católicos e evangélicos de Cianorte consideram segurança como item primordial
A tragédia de Santa Maria (RS) criou um alerta geral no país no tocante às questões de segurança em locais fechados e com grande aglomeração de pessoas. Em Cianorte, até mesmo as igrejas estão dispostas a se adaptar aos quesitos de seguranças exigidos.
FONTE: TRIBUNA DE CIANORTE/ CIANORTE
Padre Audinei Carreira da Silva, do Santuário Eucarístico, resumiu essa preocupação. O Santuário é um dos tantos templos religiosos da cidade que todos os dias, principalmente nos finais de semana, recebem grande número de fiéis.
“Infelizmente estamos naquela de mandar arrumar a fechadura depois que o ladrão entrou. Se não tivesse morrido tantas pessoas em Santa Maria (incêndio da Boate Kiss) talvez não estaríamos preocupados com isso e o Ministério Público não estaria dando tanto em cima”, ponderou o sacerdote, frisando que o Poder Público tem de parar de fazer vistas grossas sobre a necessidade de fiscalização dos locais. Segundo ele, os templos católicos de Cianorte estão dispostos a instalar os dispositivos necessários para garantir a segurança dos fiéis.
Na entrevista coletiva da última segunda-feira (4) o Capitão Adriano Alves de Souza, frisou que as igrejas também serão alvo de fiscalização em relação aos quesitos de segurança.
“Investimos tanto em bem estar nas igrejas, mas não investimos em segurança”, faz um ‘mea culpa’ padre Audinei. E é para mudar essa conjuntura, que na manhã de ontem o Conselho Econômico, presidido pelo Padre Sérgio Carris, estabeleceu que a prioridade é o investimento em segurança. “Vamos pedir o quanto antes a vistoria do Corpo de Bombeiros para nos adequarmos a todas as exigências que fizerem, para o bem e segurança do povo. Estamos de pleno acordo”, afirmou.
Para Audinei, não é possível que os prédios que concentram grande número de pessoas continuem apenas remediando. “Se acontecesse uma tragédia em nosso Santuário, iríamos morrer confortáveis, com ar condicionado, boa iluminação e bancos estofados. Mas morreríamos!”, exemplificou o padre.
O padre, famoso por seus comentários ácidos, não mediu palavras para criticar os que pensam diferente. “Os bombeiros devem ‘cair de pau’ em cima das capelas, igrejas católicas, igrejas e templos de outras denominações, porque nosso povo merece segurança total”.
Ele acredita que essa questão merece prioridade, devendo ser possibilitado um pequeno prazo, não muito extenso, pois nesse intervalo pode acontecer muita coisa, e se preciso interditar e até fechar tais locais.
O pastor Saulo Leal Pinheiro , da Igreja Presbiteriana Renovada, considera que essa é uma boa iniciativa, que tem mesmo que haver uma fiscalização rigorosa. Na sede, localizada na Zona III, a capacidade é para acomodar cerca de 250 pessoas. “Vamos acatar a todas as recomendações do CB”, assegurou.
Lei é lei
“Lei é lei e tem que ser cumprida”, afirma o pastor Paulo Renato, da Sara Nossa Terra. Porém, ele faz uma ressalva ao lembrar que muitos itens que hoje são exigidos, não eram lembrados até ocorrer a tragédia de Santa Maria. Na sua opinião, o episódio tem que ser levado em consideração, mas não é “do dia para a noite” que é possível atender a todos os requisitos.
Paulo lembra o caso de construções antigas, que podem levar mais tempo para adequarem-se às exigências atuais. “Tem que haver o bom senso de ambos, tanto de quem é cobrado, quanto de quem faz as exigências”, pondera.
A atual sede da Sara Nossa Terra comporta 408 cadeiras e está localizada na Zona IV. Antes da reforma, no final de dezembro do ano passado, foi consultado um técnico, que orientou para os requisito mínimos de segurança. “Temos uma entrada ampla, saída e iluminação de emergência, com pintura colorida nos locais com extintor, e estamos providenciando o corrimão”, destaca Paulo, com relação a alguns itens exigidos. “Tivemos sim uma calamidade e foi o suficiente para despertar todo mundo. Mas não adianta sair lacrando todas as portas, não se pode tirar a liberdade religiosa. Tem que dar um prazo hábil para as adequações”, salientou.
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